21 de abril de 2020

Tiradentes - Em Busca da Tradição Inventada




A partir de 1870, a maçonaria elege Tiradentes como seu símbolo maior e reivindica a organização do levante dos inconfidentes.


A história é continuamente reescrita. À medida que a realidade presente muda, as interpretações acerca de um fato passado também são alteradas, buscando respostas que correspondam melhor às necessidades do tempo atual. Foi assim com a Inconfidência Mineira (1789). Poucos momentos foram tão debatidos, reescritos e apropriados quanto esse.


Durante boa parte do século XIX, a Inconfidência não assumiu lugar de destaque na historiografia brasileira. Tal situação modificou-se apenas na segunda metade do século, quando o princípio da nacionalidade tornou-se uma questão premente a ser resolvida. Urgia ao Brasil a construção de laços de pertencimento capazes de criar um sentimento nacionalista, e era fundamental encontrar os elementos fundadores da nação, construindo uma identidade que pudesse particularizá-la. Com o golpe militar que inaugurou a República em 1889, essas necessidades foram reforçadas. O regime instaurado de cima para baixo estava longe de apresentar-se como uma demanda da população em geral. Assim, era preciso legitimá-lo perante o povo, apresentando- o não como um elemento estranho à sociedade, mas sim como um desejo histórico presente havia muito tempo.





No monumento à civilização mineira, Tiradentes na forca. Praça da 
Estação Ferroviária, Belo Horizonte

A solução para essas questões passava pela criação de um mito fundador que estabelecesse uma idéia de continuidade entre o fato presente e o passado brasileiro. Era necessário criar uma tradição republicana para a nação por meio de heróis que já tivessem ansiado pela implantação desse regime. Nessa ocasião, a Inconfidência Mineira e Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, assumiram com propriedade o papel de precursores da República.

A escolha de Tiradentes como herói nacional não é difícil de ser explicada. Com a publicação da obra de Joaquim Norberto de Souza e Silva,História da Conjuração Mineira (1873), que ressaltava o fervor religioso do personagem nos últimos momentos de sua vida, inúmeras representações simbólicas tornaram-se possíveis, aproximando-o à figura de Cristo. Outro fator importante para essa opção foi que o movimento não aconteceu efetivamente, o que poupou os inconfidentes do derramamento de sangue e os manteve imaculados. Eles foram apenas vítimas da violência, nunca agentes.


A Inconfidência como objeto passível de ser novamente apropriado permitiu à historiografia refazer as linhas gerais do levante sempre que a conjuntura política brasileira teve necessidade de reavivar o sentimento nacional. Seu legado simbólico foi retomado de tempos em tempos, mais especificamente nos momentos de rupturas históricas no decorrer do século XX. Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e até mesmo os militares de 1964, auto-intitulados “os novos inconfidentes”, apropriaram-se do fato histórico em favor de seus interesses políticos. Sob novas roupagens, o mito repetia-se incessantemente.


Contudo, não foram apenas os governos que utilizaram a influência do movimento e de seu herói. Muitas instituições também procuraram um “lugar ao sol” nessa festa de apropriações simbólicas. Foi o caso da maçonaria, que tomou Tiradentes como seu símbolo maior no Brasil ainda no século XIX. A partir de 1870, ocorreu um crescimento acelerado do número de lojas maçônicas no país e muitas delas foram batizadas de “Tiradentes”. 


Freqüentemente, suas bibliotecas tinham o inconfidente por patrono e até mesmo os jornais maçônicos carregavam seu nome. Já no século XX, Tiradentes pareceu ganhar em definitivo um lugar de destaque no panteão maçônico, tornando-se patrono da Academia Maçônica de Letras.


Mas por que esse mineiro poderia representar a maçonaria? Que legitimidade haveria nisso? “Simples”, responderiam os historiadores ligados a essa organização: Tiradentes teria sido maçom, e a Inconfidência Mineira, uma conspiração maçônica em prol da libertação nacional!







Antônio da Silva Parreiras (1860-1937), Jornada dos mártires, óleo sobre tela (200 cm x 365 cm), 
MUSEU MARIANO PROCÓPIO, JUIZ DE FORA (MG)


Muitos maçons, historiadores ou não, aventuraram-se a escrever sobre o episódio para desvendar sua “verdadeira” história e demonstrar o papel crucial da maçonaria na definição dos acontecimentos de 1789. Em geral, essas narrativas começam demonstrando que a Inconfidência não foi um episódio regional. Tal movimento teria feito parte de um projeto internacional elaborado para tornar livres todos os povos oprimidos. A Inconfidência, a Revolução Francesa e a Independência dos Estados Unidos seriam expressões de um mesmo fenômeno: o do anseio revolucionário por independência, democracia e liberdade que sacudiu a Europa e a América por meio das atividades maçônicas.



Desse modo, o sentimento nativista (ver glossário) não seria suficiente para explicar os anseios dos inconfidentes pela República. Acreditar apenas nisso, segundo os escritores da maçonaria, seria “ingenuidade e romantismo”. Os conspiradores mineiros agiriam inspirados não só pela idéia de nação brasileira, mas, principalmente, pelos sentimentos de sua organização. “Mirando-se no exemplo vitorioso da revolução americana guiada por George Washington, Thomas Jefferson, etc., (...) os líderes inconfidentes questionaram o que a metrópole impunha como sendo inquestionável”, escreve o maçom Raymundo Vargas. Eles não teriam planejado uma revolta se não tivessem certeza de que os “irmãos” americanos prestariam auxílio ao restante do continente. O projeto também incluía a Europa, e a França foi o palco escolhido para os contatos que uniriam o Brasil “ao elo dessa corrente universal de liberdade”.



Gilbert Stuart, George Washington, 1795. 
O presidente americano teria inspirado Tiradentes


A narrativa maçônica apresenta-se confusa para aqueles que sabem que a instituição foi fundada no Brasil em 1801. A Inconfidência poderia caracterizar-se como um movimento maçônico se ainda não havia lojas no Brasil? De acordo com seus escritores, haveria, sim, centenas de maçons organizados em lojas, mas estas funcionavam clandestinamente, já que a ordem se encontrava proibida pela legislação portuguesa.



O relato que inaugurou a crença em uma Inconfidência de caráter maçônico partiu de Joaquim Felício dos Santos, que, curiosamente, não era maçom. Em sua obra Memórias do distrito diamantino da comarca do Serro Frio (1924), ele escreve que a “Inconfidência de Minas tinha sido dirigida pela maçonaria, Tiradentes e quase todos os conjurados eram pedreiros-livres”. Com base nessa passagem, estudiosos, maçons ou não, começaram a associar automaticamente a Inconfidência à maçonaria. Surgiu a crença de que Tiradentes, que ia muito à Bahia para refazer o sortimento de mercadorias de seu negócio, acabou, numa de suas viagens, tornando-se maçom. Ele seria o responsável pela criação de uma loja maçônica, local onde os conjurados teriam sido iniciados na organização, “introduzida por Tiradentes quando por aqui passava vindo da Bahia para Vila Rica”, escreve Tenório D’Albuquerque.


Prova maior da importância do triângulo como símbolo maçônico teria se dado no momento da execução de Tiradentes, quando o maçom e capitão Luiz Benedito de Castro não distribuiu as tropas em círculo como de costume, e sim formou um triângulo humano em torno do patíbulo. A multidão “não poderia compreender o significado simbólico daquele triângulo, mas Tiradentes, no centro dele, compreendia aquela última e singela homenagem”, descreve Raymundo Vargas.



Finalmente, as narrativas maçônicas encontram explicação também para um instigante mistério: o sumiço da cabeça de Tiradentes. A urna funerária contendo a cabeça do herói da Inconfidência teria sido retirada secretamente às altas horas da noite pelos irmãos maçons remanescentes do movimento. O roubo da cabeça seria, segundo Raymundo Vargas, uma das primeiras afrontas da maçonaria às autoridades repressoras portuguesas, mostrando-lhes que “a luta só começava”. Segundo autores maçons, não teria sido por acaso que, no mesmo local onde a cabeça de Tiradentes fora exposta, o então presidente da província mineira e grão-mestre da maçonaria brasileira em 1874 Joaquim Saldanha Marinho, em 3 de abril de 1867 ergueu uma coluna de pedra em memória do mártir maçom.



Vários outros aspectos da Inconfidência foram trabalhados pelos autores ligados à organização, tais como a personalidade maçônica do Visconde de Barbacena ou as “irrefutáveis” provas da viagem de Tiradentes à Europa para fazer contato com seus irmãos da ordem. Percebe-se que a maçonaria, por meio de seus intelectuais, construiu uma série de argumentos para não deixar dúvida quanto ao papel de destaque dessa instituição no desenrolar de todos os fatos da Conjuração. Recentemente, surgiram alguns trabalhos elaborados por historiadores maçons mais criteriosos que refutam muitas das teses aqui apresentadas. Contudo, estes ainda não foram suficientes para derrubar do imaginário maçônico a figura do herói mineiro.





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De fato, existem vestígios de que maçons passaram pelas Minas setecentistas. Analisando os processos inquisitoriais luso-brasileiros de fins do século XVIII e início do XIX, encontram-se denúncias contra mineiros de Vila Rica e do Tijuco, acusados de libertinos, heréticos e maçons. Sabe-se também que muitos estudantes brasileiros em Coimbra e Montpellier iniciaram-se na maçonaria européia e trouxeram seus valores e idéias para o Brasil. Alguns deles, como José Álvares Maciel e Domingos Vidal, ajudaram nos planos dos inconfidentes.



Para além da discussão da veracidade ou não desses relatos acerca da Inconfidência, é interessante perceber de que maneira a elaboração de tal narrativa histórica favorece a instituição dos pedreiros livres. Em diversos momentos, a presença da maçonaria em território brasileiro foi questionada. Com a proclamação da República, por exemplo, a Igreja Católica perdeu o título de religião oficial do Estado e, para tentar reaver sua influência política, reforçou o combate à organização. O catolicismo oficial passou a apresentar a maçonaria como uma sociedade “estranha” à cultura brasileira, vinda de fora, representante do imperialismo e, logo, uma ameaça à soberania nacional. Mais tarde, com esses argumentos, Getúlio Vargas a colocaria na ilegalidade.


Diante de situações como essas, tornou-se fundamental para a maçonaria apresentar-se à sociedade brasileira como uma instituição que, ao contrário do que dizem seus opositores, mostra se presente há tempos em nosso território e em nossa cultura. Assim, a narrativa da Inconfidência como um movimento maçônico pode ser denominada de “‘tradição inventada”, expressão cunhada por Eric Hobsbawm que indica a criação de um passado com o qual se busca estabelecer uma continuidade. Construir por meio de uma historiografia uma tradição na qual os maçons teriam feito parte do momento fundador da nação brasileira é, sem dúvida, uma maneira de assegurar sua presença no Brasil. Ao associar a imagem de Tiradentes à sua, essa ordem passa a ser lembrada como a defensora dos nobres valores carregados pelo herói nacional. Mais do que uma forma de defesa, a apropriação maçônica da simbologia da Inconfidência lhe dá legitimidade perante a sociedade. Por ora, a estratégia teve êxito na medida em que a insurreição de 1789 e a atuação maçônica encontram-se, ainda hoje, intimamente associadas no imaginário popular.





A BANDEIRA MINEIRA

A origem da bandeira de Minas Gerais é mais uma prova, para os maçons, do envolvimento desta organização na Inconfidência. “Se ainda ao mais incrédulo dos incrédulos restasse um resquício de dúvida quanto à origem maçônica da Inconfidência Mineira, bastaria contemplar-lhe a bandeira”, afirma Tenório D’Albuquerque, em A bandeira maçônica dos inconfidentes. Utilizando como disfarce a idéia da Santíssima Trindade, o triângulo representaria, na verdade, a sagrada trindade da maçonaria: liberdade, igualdade e fraternidade. No interrogatório relatado nos autos da devassa, ao ser perguntado sobre o significado da bandeira, Tiradentes teria respondido “sagrada trindade” e não “santíssima”. Tal detalhe supostamente passou despercebido ao escrivão.



DISCORDÂNCIA ENTRE OS HISTORIADORES



A historiografia acadêmica encontra-se longe de um consenso acerca da participação ou não da maçonaria na Inconfidência. As hipóteses vão desde o papel central dos maçons na elaboração dos planos do levante até a negação total de sua influência na Conjuração.


Augusto de Lima Júnior ressalta o papel da maçonaria ao percebê-la como um importante elemento de ligação e comunicação dos inconfidentes com os grupos de apoio no Rio de Janeiro e na Europa. Em posição oposta está Lúcio José dos Santos, alegando que o fato de não haver nenhum vestígio da ação propriamente maçônica nos autos da devassa seria a maior prova da ausência dessa sociedade na Inconfidência. Também argumenta que, se a maçonaria possuísse prestígio suficiente a ponto de ser a idealizadora do movimento, ela teria tido forças para impedir a condenação de seus membros. Finalmente, a meio-termo entre as duas opiniões encontra-se Márcio Jardim, para quem a atuação maçônica teria sido importante, mas secundária: seu papel seria apenas o de aglutinar pessoas e idéias. O autor observa, ainda, como a maçonaria dos dias atuais se apropria da figura de Tiradentes, o que revelaria um desejo de mostrar poder acima do comum, causando lhe surpresa o fato de “boatos sobreviverem ao tempo e à evidência das provas contrárias”.


CURIOSIDADES DE TIRADENTES:


Seu nome completo era Joaquim José da Silva Xavier. Nasceu no ano de 1746, na Fazenda do Pombal, distrito de São João del Rey, em Minas Gerais. Porém, não há registro da data de seu nascimento, apenas do seu batismo, em novembro daquele mesmo ano.

  • Tiradentes tentou várias profissões: dentista, tropeiro, minerador e engenheiro. Entrou, então, para a Sexta Companhia de Dragões de Minas Gerais, como alferes, uma espécie de segundo-tenente.


  • Tiradentes está diretamente ligado ao movimento que ficou conhecido como "Inconfidência Mineira". Os historiadores preferem "Conjuração Mineira" já que o que aconteceu em Minas Gerais foi um ato organizado para conquistar a independência do país e não um ato de deslealdade, traição ou infidelidade, que servem para traduzir a palavra inconfidência.


  • Após o enforcamento, seu corpo foi esquartejado. As 4 partes foram postas em alforjes com salmoura, para serem exibidas no caminho entre Rio de Janeiro e Minas Gerais. A casa de Tiradentes em Vila Rica foi demolida, e o chão, salgado, para que nada brotasse naquele solo.


  • Foi no Rio de Janeiro que Tiradentes entrou em contato com as idéias revolucionárias iluministas. O que poucos sabem, é que ele também se dedicou a projetos de melhoria urbana do Rio. Idealizou abastecimento regular da cidade, construção de moinhos, trapiches, armazéns, além de serviços de barcas de transporte de passageiros.


  • Tiradentes é o único brasileiro cuja data de morte se comemora com um feriado nacional. É também o mais citado no Google, com mais de 2 milhões de páginas de referência no buscador.


  • Tiradentes não foi considerado um herói tão logo morreu e só passou a ser cultuado 98 anos após a sua morte. Como defendia idéias iluministas republicanas e antimonarquistas, durante o período imperial brasileiro, seu nome quase não era citado. 

  • "Pois seja feita a vontade de Deus. Mil vidas eu tivesse, mil vidas eu daria pela libertação da minha pátria", teria dito Tiradentes ao ouvir serenamente a sua sentença de morte.

Biografias:




Autores: 
Françoise Jean de Oliveira Souza
Doutoranda em história pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Autora da dissertação Vozes maçônicas na Província Mineira – 1869-1889, UFMG, 2004

18 de março de 2020

“A Causa E Solução Mais Profundas Do Coronavírus, Segundo A Cabalá”



The Times of Israel publicou meu novo artigo: “A Causa E Solução Mais Profundas Do Coronavírus, Segundo A Cabalá”

Representações do caos total surgiram em Wuhan, China, a cidade onde o coronavírus começou a se espalhar. 60 milhões de cidadãos estão sob toque de recolher, escolas em toda a região estão fechadas até novo aviso e as autoridades recomendam evitar qualquer contato desnecessário com as pessoas, incluindo apertar as mãos. A estranha praga também se espalhou rapidamente além das fronteiras da China, causando pânico em todo o mundo.

Se olharmos para esta situação através das lentes da sabedoria da Cabalá, não há nada de novo aqui. Tudo está se desenrolando naturalmente. A linha de pensamento egoísta embutida em nós nos faz imaginar o mundo como fixo e imutável, que somente nós, humanos, nos movemos em nossa realidade. Colocamo-nos, assim, no centro do mundo e imaginamos o controle que temos sobre o sistema da natureza com nossa natureza egoísta míope. No entanto, surtos como o coronavírus nos mostram que esse não é exatamente o caso.

Em nossos cinco sentidos de percepção, somos incapazes de ver que as mudanças que ocorrem em nosso mundo em constante mudança estão atualmente se desenvolvendo com uma trajetória negativa em relação a nós. Em nossa ignorância, nos opusemos à natureza.

A matéria-prima da criação, denominada “o desejo de desfrutar” na sabedoria da Cabalá, está em constante crescimento. Nos seres humanos, esse desejo é expresso com uma qualidade egoísta adicional, onde pretendemos realizar esse desejo de desfrutar às custas dos outros. Assim, nos tornamos inflados com a auto-importância, destacando-se mental e emocionalmente um do outro. Devido à tendência destrutiva do desejo egoísta de desfrutar às custas dos outros, os Cabalistas descrevem essa qualidade como a “inclinação do mal”.

Com uma natureza tão egoísta, nos deparamos com um sério paradoxo: por um lado, por natureza, queremos desfrutar, descansar e usar qualquer pessoa e qualquer coisa para conseguir o que cada um de nós considera agradável. Por outro lado, se não conseguirmos cobrir a inclinação ao mal com uma boa, com a intenção de beneficiar os outros, nos preparamos para a autodestruição.

O ritmo da expansão da epidemia de coronavírus deve ser visto como um sinal de alerta para que percebamos que estamos prestes a enfrentar desafios incontroláveis ​​da natureza. Até hoje, o desequilíbrio entre as forças do bem e do mal, ou seja, entre o desejo de beneficiar os outros e o desejo de desfrutar apenas para o benefício próprio, emergiu lenta e gradualmente em pequenos incrementos. Nesse ritmo mais lento, tivemos tempo suficiente para desenvolver anticorpos para combater as mutações, mesmo que apenas temporariamente.

No entanto, com a taxa de mudança exponencialmente acelerada, poderemos enfrentar uma praga desastrosa no futuro, a menos que aprendamos a equilibrar essas qualidades – nossa inclinação humana de viver à custa de todos e a característica da natureza que exige conexões altruístas entre todos os aspectos do ambiente, incluindo os humanos. No momento, nos colocamos tolamente contra a natureza em uma batalha perdida.

Não há crueldade aqui por parte da natureza. A natureza opera por leis fixas e absolutas, a fim de nos desenvolver para um estado perfeito, equilibrado e harmonioso. Assim, precisamos apenas descobrir qual é o nosso papel nessa natureza e procurar como podemos nos tornar um elemento ativo e benéfico da natureza.

Nosso papel principal no sistema da natureza é funcionar como o componente essencial que traz equilíbrio ao mundo através da realização da lei primária da natureza: “Ame o seu próximo como a si mesmo”.

De acordo com a sabedoria da Cabalá, quando tentamos nos conectar com fios de amor, nos alinhamos à força positiva da natureza, tornando-nos semelhantes a ela. Ao fazer isso, fazemos surgir um “vírus do amor” entre nós, e ele se espalha por nós para a natureza em todos os seus níveis: inanimado, vegetativo, animado e humano. Em suma, conexões humanas positivas, onde cada um de nós pretende se beneficiar, equilibrarão todos os males do mundo.

O Mundo Precisa de Mensagens Positivas neste Momento, Compartilhem , Divulguem a todos. 


TFA.´.
Créditos: Ir.´. Afranio Lucio MG

15 de janeiro de 2020

Os Invejosos Maçônicos


Genericamente, diz-se que alguém é invejoso quando deseja para si igual posição ou benesse que a conquistada por outrem. A inveja não é propriamente um vício ou ato de maldade; ele pode surgir e desaparecer numa fração de segundo. É a reação inesperada que alguém possa ter ao presenciar que um seu conhecido, um próprio irmão, receba um favor ou um destaque. Obviamente, essa atitude é maléfica ao próprio agente que carreia para dentro de si uma porção de "veneno". 

Dentro da maçonaria, constatamos, infelizmente, a presença de invejosos que sofrem quando alguém é eleito para cargo elevado, ou quando um autor lança uma nova obra literária, ou quando um irmão recebe uma condecoração. Quando não satisfeitos tentam as cisões e promovem novas Grandes Lojas. 

Na maçonaria também existem invejosos e com facilidade são reconhecidos, pois os seus actos falam por si, no presente e nos trabalhos futuros. 

Sendo a inveja uma reação negativa, ela deve ser eliminada prontamente. Os atos de desamor ferem a quem não ama. 

A inveja vem sempre acompanhada por outro sentimento menor, como a cobiça, e tudo que é negativo a maçonaria repele e evita. A reação contra o "pensamento invejoso" é o aplauso imediato e o rejúbilo com quem foi agraciado por algo que aspiraríamos para nós. E na defesa das nossas Obediências e Potências, evitemos dar apoio a novas e falsas estruturas que só alimentam o ódio, a desavença, a mentira, a falsidade e tudo o que é repugnante no mundo maçônico e no mundo profano.

Essa atitude negativa não ocorre apenas dentro das lojas maçônicas, mas também no mundo profano. É dentro da loja que exercitamos a reação contra a inveja e o mundo profano há de se beneficiar disso.

Autor: desconhecido


14 de setembro de 2019

Sexta feira 13 - A Verdadeira História !!!



"A queda dos Templários"

Madrugada de sexta-feira, 13 de Outubro de 1307:

Cumprindo as ordens do rei Filipe IV, o Belo, também conhecido como Rei de Mármore ou Rei de Ferro, Guillaume de Nogaret ministro do Rei, acompanhado do Inquisidor-mór e do tesoureiro real, apresentou-se na fortaleza do Templo e deu voz de prisão a todos os Templários que aí se encontravam, incluindo o seu Grão-Mestre, Jacques de Molay, que ainda estava deitado. Os próprios calabouços do Templo serviram para aí se encerrarem alguns dos cavaleiros, mas o Grão-Mestre e os seus principais foram encerrados na prisão do Louvre.

À mesma hora, por todo o Reino de França, os senescais, presidentes das câmaras e os prebostes reais, acompanhados pelos seus soldados, prenderam em massa todos os Templários que encontraram nas Casas da Ordem. Praticamente não houve resistência, mas nalgumas, como em Arras, os soldados degolaram metade das pessoas que lá se encontravam.

Davam assim cumprimento às instruções reais contidas numa carta que todas as autoridades foram recebendo desde Setembro desse ano, com a condição expressa de só ser aberta no dia 12 de Outubro e à mesma hora, em todos os locais do reino, guardando-se o mais rigoroso sigilo da mesma.
Não se sabe com precisão quantos cavaleiros foram presos, mas estima-se que fossem cerca de mil, embora também se fale em 4.000. Grande parte dos cavaleiros fugiu para países que os acolheram ou fixaram-se noutros lugares onde a Igreja os não pudesse alcançar. Gerard de Villiers, perceptor de França, foi um dos cavaleiros franceses que conseguiu escapar.

Todos os imensos bens da Ordem em França foram imediatamente confiscados!

Acusados de heresia (práticas demoníacas, adoração de ídolos e vícios contra a natureza), os interrogatórios começaram logo no dia seguinte, 14 de Outubro, dando-se início a um dos processos mais vergonhosos e sinistros da História, o chamado “Processo dos Templários”, que acabará com a supressão da Ordem, pela bula papal Vox in Excelso, de 22 de Março de 1312 e com a morte de alguns dos seus membros, incluindo o Grão-Mestre, condenado à fogueira a 18 de Março de 1314.


Torturados, alimentados a pão e água, instalados em condições sub-humanas e ainda sujeitos ao pagamento da sua prisão, foram-lhes recusados os sacramentos e o sepultamento em terra da Igreja. Não se sabe ao certo quantos terão morrido na fogueira, ou durante os interrogatórios, ou dos ferimentos recebidos, ou dos que ficaram estropiados para o resto da vida física e moralmente.

Quanto a Filipe IV, assim que soube que as prisões tinham sido feitas, dirigiu-se à Torre do Templo e instalou-se lá, levando consigo o seu “tesouro”, que juntou ao que encontrou no local.

Foram também expedidas cartas aos soberanos europeus para que procedessem de igual modo nos seus reinos, contra a Ordem.


Na Europa a Ordem foi extinta, mas com uma ou outra excepção os cavaleiros não foram molestados, sendo integrados em novas Ordens menos expressivas, como foi o caso da “Ordem de Cristo”, fundada em Portugal pelo rei D. Dinis, com os bens e os efectivos templários residentes no país ou que por cá se refugiaram.

Jacques de Molay esteve sete anos na prisão, antes de morrer aos setenta anos de idade. No dia 12 de Outubro, véspera da sua prisão, tinha-se encontrado com o rei, de quem era compadre (Molay era padrinho do filho mais novo de Felipe IV), no funeral da cunhada do monarca, Catarina de Courtenay, esposa de Carlos de Valois, tendo-lhe sido dada a honra de carregar o féretro, o que torna a perfídia do rei ainda mais ignóbil…

Mas como é que uma Ordem tão poderosa como a dos Templários, carregada de glória e riqueza, com uma tradição de dois séculos de existência e que apenas dependia do Papa, pôde ser aniquilada de um dia para o outro?

Na sua juventude o “Rei de Ferro” tinha pedido para ser admitido a título honorário na Ordem, o que lhe foi recusado, acontecendo-lhe o mesmo quando poucos meses antes do aniquilamento dos Cavaleiros Templários, tinha pedido o ingresso na Ordem para o seu filho mais novo. A sua ideia seria tornar hereditário o cargo de Grão-Mestre, reformar a Ordem e mantê-la na dependência directa dos reis franceses. Também em 1306, durante uma sublevação em Paris, o rei tivera de pedir asilo ao Templo onde ficara alguns dias à espera que o motim acalmasse…Demasiadas humilhações para alguém como ele!

Além de que, do seu palácio, o rei todos os dias avistava a Torre, uma lembrança permanente de um Estado dentro de outro Estado, com as suas liberdades, privilégios, a sua alta, baixa e média justiça e o seu direito de asilo, que nem o Rei se atrevia a quebrar. Portanto, as razões para a queda foram muitas e diversas, mas situam-se principalmente na luta feroz que se desenvolveu entre a França e o Papado, entre Filipe IV e Bonifácio VIII, sem esquecer a aura de imensa riqueza que a Ordem possuía, o chamado “Tesouro dos Templários”, que para um rei sempre esfomeado de dinheiro como o monarca francês, e que tinha uma enorme dívida para com o Templo, se tornava numa tentação irresistível que o não faria recuar perante nada…

Com esta medida, Filipe IV consegue equilibrar as finanças reais, e ao destruir o exército da Igreja, com a ajuda do Papa Clemente V que ele próprio tinha elevado ao trono pontifício, e que se estabelece em 1309 em solo francês na cidade de Avinhão, abandonando Roma (o que dará início ao Cisma de Avinhão, também conhecido como o Cativeiro de Babilónia), o rei consegue tornar-se no senhor absoluto do reino de França.



É a partir deste acontecimento, que tanto o dia 13 como a sexta-feira entraram para a superstição popular como azarentos.

“NON NOBIS DOMINE, NON NOBIS SED NOMINI TUO DA GLORIAM” 
“Não a nós Senhor, não a nós mas toda gloria a Teu nome”.

PAX LUX


Edição, Adaptação e Ilustração - Filhos do Arquiteto Brasil
Ir Daniel Martina M.´.M.´. - CIM285520

30 de agosto de 2019

O LIMIAR ENTRE A MORTE DO PROFANO E O NASCIMENTO DO MAÇOM:


CÂMARA DE REFLEXÕES

Chega o dia da iniciação, um profano em pouco tempo estará apto a usar como seu, o título de membro da Ordem Maçônica, uma instituição universal originada em épocas remotas que se utiliza de vários simbolismos dotados dos mais variados significados, com o objetivo de perpetuar vários ensinamentos entre seus irmãos.

O profano que busca ser iniciado deve ser submetido a uma série de provas, sendo que a primeira delas é a da Terra, simbolizada pela Câmara de Reflexões, uma sala rústica, escura, sem contato com o meio externo e que contém diversos objetos, cada um possuindo diferentes significados.

O candidato que se encontrava vendado, é instruído a descobrir os seus olhos e olhar ao redor, podendo então visualizar um pequeno cômodo iluminados por luz de velas, de paredes negras contendo vários dizeres escritos; papel; caneta; mesas e cadeiras simples; sendo que em uma destas mesas, encontram-se vários objetos, tais como: um jarro com água, sal, enxofre, um esqueleto (ou ao menos uma caveira humana), uma ampulheta, um galo (que pode estar disposto sobre a mesa ou mesmo pintado na parede), as palavras vigilância e perseverança colocadas acima e abaixo do galo respectivamente, pão, as iniciais V.I.T.R.I.O.L., além de uma imagem da morte com uma foice e do espelho (em alguns ritos).

A maioria dos irmãos iniciados nas Américas Central e do Sul, Europa, Oriente Médio e  a África estão familiarizados com a Câmara de Reflexões.

Ela é utilizada no Primeiro Grau do Rito Escocês Antigo e Aceito, Rito Francês, Rito Brasileiro, além de outros ritos derivados destes que foram mencionados, nela, o profano fica confinado tempo suficiente para visualizar o local e responder ao questionário que lhe é entregue, além de preencher o seu testamento; no Rito Brasileiro, ainda é apresentado ao candidato, os artigos I e II da Constituição da Jurisdição, que explica os princípios da instituição além de uma declaração a ser assinada pelo profano de que nada revelará sobre o que já foi visto, mesmo que não venha a ser admitido na Ordem posteriormente.

O simbolismo da câmara pode ser interpretado de várias maneiras, ela pode ser visualizada como uma tumba semelhante às descritas na bíblia em épocas passadas, logo, simbolizaria a morte e o enterro, poder-se-ia dizer que a partir daí a vida profana do futuro iniciado chega ao fim, e que agora os princípios que regem a sua vida devem ser os mais compatíveis possíveis com os princípios maçônicos; entretanto, a câmara não simboliza apenas a morte, mas pode ser encarada também como o útero materno, capaz de gerar a vida, portanto, seria um local de renascimento, aquele que lá esteve acaba de renascer ao olhar maçônico e aceita as responsabilidades pela sua escolha.

A câmara também pode ser vista como uma prova de coragem, pois seu recinto foge dos padrões convencionais e pode ser temida por aqueles que a olham de maneira profana, sem buscar o significado por detrás dos objetos, assim, o profano que solicita ingresso na Maçonaria, deve mostrar coragem, como uma forma de demonstrar aos demais membros da ordem, que não pessoas fracas e despreparadas psicologicamente, e que todos os segredos que lhe forem confiados estarão seguros.

É na câmara ainda, que no meu ver o neófito demonstra uma virtude extremamente importante, a confiança naqueles que serão seus futuros irmãos, pois se fizermos uma analogia um tanto filosófica sobre o acontecimento, ao se retirar da câmara, o futuro iniciado deve novamente ser vendado, e é prontamente transferido deste local sombrio para outro recinto normalmente mais iluminado, ou seja, ele desde já, começa a andar em direção à luz, mas como ainda não completou as outras provas da iniciação maçônica, não possui o preparo necessário para que possa visualizá-la, logo, o candidato confia incondicionalmente no irmão que o conduz, deixando que este mostre qual o melhor caminho a trilhar.

Retornando à câmara, algumas explicações se fazem necessárias no que diz respeito aos materiais ali colocados:

 O Sal é um elemento neutro e é utilizado como uma representação da vida, da pureza e da sabedoria; preceitos que devem nortear os passos do candidato em sua nova jornada dentro da ordem maçônica; 

A Água é encarada como a fonte da vida, indispensável para o ser humano, enquanto que o pão nos lembra do trabalho, uma vez que ele é o produto final da transformação do trigo e de outras substâncias; juntos, pão e água nos remetem à lembrança da simplicidade, a qual deve ser encarada pelo candidato como uma forma de conduzir a sua vida; 

O Enxofre é a representação da consciência através dos antigos ensinamentos da alquimia; 

O Galo juntamente com as palavras “vigilância” e “perseverança” simbolizam o futuro que está por vir logo que o candidato se libertar da escuridão causada pelo medo e pela ignorância, assim como o galo canta para anunciar o novo dia que está por vir, ele anuncia ao candidato que ele está prestes a receber a luz, entretanto, apenas aqueles que carregam consigo os ideais de vigilância e perseverança, estarão aptos a buscarem a luz e a verdade de nosso “mestre interior”;

 A Ampulheta, de uma maneira geral, simboliza a passagem do tempo, estando a sua estagnação ligada à inconsciência humana através de sua alma, de modo que quando isto ocorresse poderia o mesmo experimentar sua natureza plena, contemplando presente, passado e futuro, assim como o criador, desta maneira, ao receber a luz, o candidato “acorda” para a sua própria natureza; 

A Figura da Morte e o Esqueleto representam a fragilidade humana, necessária para que o profano deixe esta condição e renasça como um membro da ordem simboliza, ainda, a justiça divina, qual teremos que enfrentar para que possamos descansar em paz; 

As iniciais V.I.T.R.I.O.L. foram gravadas em uma pedra presente no antigo Templo de Salomão, suscitando que a verdade está dentro de nós, através do escrito em latim “visita interiora terrae rectifando invenies occultum lapidem”, ou seja, “visitem o interior da terra, purificando-se, e encontrarão a pedra perdida”; 

O Espelho é utilizado apenas em alguns ritos (por exemplo, no Rito Escocês Retificado, derivado do Rito Francês, como forma de demonstrar que nem sempre o inimigo a ser combatido está em outra pessoa, podendo este encontrar-se em nosso interior, e deve ser eliminado através de ações benevolentes e pensamentos puros); 

Por fim, há ainda na câmara, os vários dizeres estampados na parede levando a uma reflexão mais profunda por parte do candidato, se realmente é de seu desejo entrar para a maçonaria, sendo possível ainda desistir caso seja conduzido a este local por mera curiosidade, ou por outros motivos fúteis, que de nada iriam contribuir para a ordem. 

Antes de sair da câmara, o candidato deve ainda escrever um testamento aonde ele deixa claro seus desejos sem nenhuma ressalva, durante o momento de transição que se segue.

 A partir do momento que o candidato deixa de ver a câmara com os olhos de um profano, e passa a enxergá-la com os olhos de um maçom, destituído do medo ou apreensão, interpretando aquele local como o ponto de partida para sua longa caminhada buscando constantemente evoluir, não apenas na ordem mas, principalmente na sociedade, então ele não pode ser mais chamado de profano, porque acabou de dar o primeiro passo para se tornar um verdadeiro irmão.

Referências Bibliográficas

Jr., Helio I. The Chamber of Reflection, Presented at the Vancouver Grand Masonic Day, october 16, 1999. Stavish, Mark. The Chamber of Reflection, M.A, FRC, SI, 2002


Ilustrações: Ir Daniel Martina Toupitzen - CIM: 285520 GOSP/GOB


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